Periférico

Um Blog desalinhado, independente e situado à margem do politicamente correcto! O olhar de um Periférico na periferia da Europa.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Viva o Norte!

Ora aí está, já nas nossas salas o filme francês mais visto de sempre, com mais de 20 milhões de entradas vendidas, lucros acima dos cem milhões de euros e responsável por um aumento de 14 % na frequência dos cinemas franceses nos primeiros três meses de 2008.

Bienvenue Chez Les Ch'tis (Bem-vindo ao Norte) conta a história de um director dos correios do Sul de França que na ânsia de obter uma colocação à beira-mar mente ao dizer que é deficiente motor. É descoberto, e castigado com a chefia da estação de Bergues, no Norte de França, na região de Nord-Pas-de-Calais. Um exílio que ele imagina gelado e agreste, mas que se revela afinal na descoberta de uma região acolhedora, de gente calorosa, solidária, divertida e também de boa comida. Existe, no entanto, a dificuldade do dialecto ch'timi difícil de entender e onde reside parte da comicidade do filme.

O filme realizado e intrepretado por Dany Boon, dedicado à sua mãe ch'ti, vai contra os preconceitos e as ideias feitas que os “sulistas, elitistas e liberais” têm do Norte de França e realça os valores da solidariedade e da amizade.

Num tom de comédia positiva, popular e sem pretensiosismos, o filme tem na cena da ronda de bicicleta em que o director dos correios (Kad Merad) acompanha o seu carteiro (Dany Boon) o seu momento de antologia.

A não perder, vale bem uma ida à sala de cinema, de onde se sai certamente mais leve e sorridente. Aqui fica a sugestão para o fim-de-semana.

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quarta-feira, julho 09, 2008

La Fille coupée en deux


Sinopse

Uma jovem mulher que ambiciona o sucesso e cuja luminosidade seduz os que a rodeiam, apaixona-se por um escritor famoso e perverso mas acaba por se casar por despeito com um jovem multimilionário.

Para um filme de Claude Chabrol, como sempre, estas linhas acabam por ser curtas para condensar a multiplicidade de leituras a que se presta.

Ludivine Sagnier está luminosa no papel principal da jovem Gabrielle Deneige dividida, cortada em dois, entre os dois homens que disputam o seu afecto: o famoso escritor e libertino Charles Saint-Denis (François Berléand), que apesar de não fazer tenção de abandonar a sua mulher ela ama verdadeiramente; e o jovem dandy e milionário Paul Gaudens (magistralmente intrepretado por Benoît Magimel) que lhe oferece “estabilidade” e a pede em casamento.

A película inspira-se na história do assassínio em 1906 em Nova Iorque de um famoso arquitecto da época, Stanford White (aqui neste filme representado por um escritor), pelo marido da sua última amante. Chabrol transpõe e adapta este crime passional para a França dos dias de hoje e explora uma vez mais um dos seus temas preferidos, a violência das relações de poder entre classes sociais.

Um filme a ver, recheado de bons diálogos e com momentos de pura sátira a uma França burguesa, opulenta, elitista, gongórica e bem pensante.

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quinta-feira, agosto 02, 2007

DEATH OF A PRESIDENT

E se o Presidente George W. Bush fosse assassinado a 19 de Outubro de 2007? Este filme em forma de documentário supostamente filmado em 2008 segue os acontecimentos que precederam o momento do ficcionado assassínio do Presidente americano em Chicago e a posterior investigação do FBI. Realizado por Gabriel Range, longe do estilo planfetário e provocador de Michael Moore, o filme tem um tom contido e sério, como se fosse um documentário da BBC, em que se misturam imagens reais e outras ficcionadas. Esta mescla muito bem conseguida torna-o num documento perturbador, no qual por tão próxima de nós a ficção quase se torna realidade

De facto, vivemos em tempos em que os acontecimentos só tomam a dimensão de realidade quando o vemos na TV, e neste filme se nos abstrairmos por um momento, quase a acreditamos que estamos perante factos reais e não ficcionados. Lembro-me bem de que quando se deu o 11 de Setembro estar na praia e ter recebido vários SMS a dar-me conta das ocorrências, e logo sentir a necessidade de ir para a frente da televisão para materializar na minha mente que as torres gémeas tinham de facto caído e que não era imaginação ou ficção.

É um filme que dá que pensar, nos nossos preconceitos e ideias pré-concebidas, mas também na forma como tenta retratar George W. Bush como um ser humano, amado e admirado pelos seus próximos, para lá do já por demais conhecido ódio e antipatia que desperta tanto no ocidente como oriente.

Surpreendeu-me pela positiva este filme, tanto pela originalidade do estilo, um documentário ficcionado, como pelas questões que nos coloca e pelas reflexões que lança. Será concerteza um filme polémico, pela premissa de que parte mas a sem dúvida alguma a ver.

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terça-feira, julho 24, 2007

Filmes no Berlaymont

Desde o final de Maio que todas as terças feiras pelas 19 horas passa um filme de um dos 27 estados membros num pequeno auditório no Berlaymont, edifício sede da Comissão Europeia. Esta iniciativa enquadra-se nas comemorações dos 50 anos do Tratado de Roma e proporciona um interessante contacto com as 27 cinematografias desta nossa Europa. O filme de hoje é finlandês com o curioso título de FC Vénus, uma espécie de guerra dos sexos transposta para um desafio de Futebol: de um lado uma equipa masculina e do outro uma equipa feminina, o tal FC Vénus.

Aqui fica um extracto da sinopse que me aguçou a curiosidade:

"FC Venus is a modern-day romantic comedy of men and women, and the differences between the two. It is a story of success and failure, the joy of winning and the fear of losing and football. It sets in contrast the last male strong hold in life, football, and women’s expectations for the future. Women challenge their men to the game of their life."


E sssim sendo, hoje vou me deslocar ao Berlaymont, não em trabalho, mas em lazer ;-)

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

E à sexta foi de vez...

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood atribuiu finalmente o Óscar de Melhor Realizador a Martin Scorsese, por The Departed - Entre Inimigos, galardoado também com o prémio de Melhor Filme.

Para quem como eu admira Martin Scorsese como realizador e há 2 anos escrevia assim sobre mais uma das noites em que tinha ficado sem a estatueta:

É talvez um paradoxo dizer-se que Martin Scorsese é um cineasta periférico, mas mais uma vez (5ª vez nomeado para melhor realizador) ficou sem a mais cobiçada estatueta do mundo do cinema. Para a academia de Hollywood o talento deste realizador tem ficado por premiar e começa a tomar forma a ideia que apenas um Óscar de carreira compensará com justiça a riqueza do seu percurso como realizador de cinema.

Não deixa de ser estranho que um homem que respira cinema como Martin Scorsese, que sabe da história do cinema como poucos, ainda não tenha sido reconhecido pelos seus pares com um Óscar.

Martin Scorsese foi nomeado para melhor realizador pela primeira vez em 1981 com Raging Bull (O Touro Enraivecido), pela segunda vez em 1989 com o polémico The Last Temptation of Christ (A Última Tentação de Cristo), pela terceira vez em 1991 com o filme que considero uma lição de cinema e quanto mim a sua obra prima Goodfellas (Tudo Bons Rapazes), pela quarta vez em 2003 com o filme Gangs of New York (Os Gangs de Nova Iorque) e finalmente pela quinta vez em 2005 com o filme sobre Howard Hughes The Aviator (O Aviador).

Com uma carreira recheada de bons filmes e verdadeiras lições de bem realizar e contar uma história pode dizer-se que a sua rica filmografia se tem mantido periférica à consagração com a estatueta de melhor realizador por parte da Academia.

Um dia certamente virá a consagração, para mim que cresci com os seus filmes e com eles aprendi a apreciar e ver melhor a sétima arte Martin Scorsese é pura e simplesmente um mestre, um dos melhores realizadores vivos e de todos os tempos.

Este prémio já era merecido há muito tempo.

Parabéns Martin Scorsese!!!

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quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Walk The Line

Johnny Cash é daqueles personagens que se confundem com todo um imaginário de um País. Nascido na América sulista, puritana e racista, as canções de Johnny Cash tornaram-se parte da América, do seu código genético. Johnny Cash converteu-se num contador de histórias em forma de canção, histórias que falam dos sonhos, ambições e frustrações dos homens comuns, dos seus pecados e da sua redenção.

O filme biográfico Walk The Line, que aconselho vivamente, centra-se na história de amor entre Johnny Cash e June Carter. Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon foram mesmo ao ponto de recriarem com as suas próprias vozes os êxitos de Cash e June e têm duas excelentes interpretações. Existe uma química fabulosa entre ambos no ecrã, que recria e revive o Ring of Fire que envolveu para sempre Johnny Cash e June Carter.

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quarta-feira, janeiro 25, 2006

Match Point

Ao ver o último filme do Woody Allen veio-me à memória esta frase do grande Oscar Wilde:

Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos

Gostei do filme e recomendo, um Woody Allen maduro e surpreendente.

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sexta-feira, janeiro 06, 2006

I Heart Huckabees

O Passos Manuel assume-se cada vez mais como uma sala alternativa na cidade Invicta, cuja programação deve ser seguida com atenção. E agora mais ainda já que infelizmente se confirmou a “morte” anunciada do Nun’Álvares.

I Heart Huckabees é um filme independente que chama logo à partida a atenção pela a excelência do seu elenco que agrupa, entre outros, Dustin Hoffman, Isabelle Huppert, Jude Law, Lily Tomlin, Mark Wahlberg, Jason Schwartzman e uma luminosa Naomi Watts. Trata-se de uma comédia existencialista desconcertante e inteligente realizada por David O. Russell apontado como um dos novos talentos do cinema americano actual.

A história parte das interrogações do protagonista, Albert Markovski, sobre uma série de coincidências que lhe têm recentemente acontecido e que pensa estarem relacionadas com os grandes enigmas da vida. Na tentativa de descortinar a reposta para essas coincidências Albert resolve recorrer aos serviços de uma original agência de “psico-detectives”. Será que estamos todos ligados por coincidências ou na verdade somos seres individuais e solitários? Sem nunca dar uma resposta clara às questões existenciais, no fundo deixando as respostas para o interior de cada um de nós, o filme vai provocando as mais inesperadas gargalhadas ao ir gozando com todas elas.

É certamente um daqueles filmes que não agradará a todos, alguns irão adorar outros detestar, a mim surpreendeu-me e divertiu-me pelo que aqui fica a sugestão.

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terça-feira, dezembro 13, 2005

Elizabethtown

Um dos filmes do ano, se não o filme do ano! 13 anos depois de Singles Cameron Crowe realiza o filme que faz a apologia do encontro, de que o importante não é bem para onde vamos mas, como se diz em inglês, “Enjoy the ride”.

Também eu fui tocado pela magia deste filme, o que penso ser difícil não acontecer se alguma vez meditámos sobre caminho que a nossa vida seguiu, ou tirámos prazer dos pequenos momentos, surpresas, imprevistos e conhecimentos que a vida já nos proporcionou.

Aqui ficam algumas deixas de antologia, quase todas da personagem luminosa de Claire Colburn interpretada magistralmente por Kirsten Dunst:

Claire Colburn: Trust me. Everyone is less mysterious than they think they are.

Claire Colburn: Men see things in a box, and women see them in a round room.

Claire Colburn: I'm going to miss your lips. And everything attached to them.

Claire Colburn: Do you ever just think I'm fooling everybody?
Drew Baylor: You have no idea.

Claire Colburn: I'm hard to remember, but I'm impossible to forget
.

E por último refira-se que a Banda Sonora é fantástica, um filme a não perder!

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sexta-feira, julho 22, 2005

Notas cinéfilas

#1 O Daniel Day-Lewis é um excelente actor, não faz muitos filmes mas a qualidade das suas interpretações é inversamente proporcional à quantidade de filmes em que participa.

#2 Aconselho vivamente a irem ver A Balada de Jack e Rose, um filme que é o retrato dum amor entre Pai e Filha levado a limites freudianos, que vivem no que resta duma antiga comuna do final dos anos 60 numa ilha ao largo da costa leste americana. O filme está recheado de boas interpretações das quais se destaca o já supracitado Daniel Day-Lewis e conta com uma excelente banda sonora onde se realça a forte presença de Bob Dylan.

#3 Graças a um enorme esforço de organização laboral para conseguir ir à sessão das 18:30 do cinema Nun’Álvares, tive o privilégio de ter uma sala só para mim e excelsa companhia. Pensei que a hora vespertina dessa sessão tinha a ver com a duração do filme. Imaginem qual o meu espanto quando às 20:30 saio do cinema para a rua ainda banhada pela luz solar, sabendo que a próxima sessão era só as 22:00 horas. Depois admirem-se de terem salas vazias. Uma sessão às 19:00 ou 19:30 teria certamente mais público e pela duração do filme dava perfeitamente para conjugar com a sessão das 22:00.

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segunda-feira, maio 09, 2005

MONDOVINO



Tal como esbocei na 6ª feira, os meus planos para o fim-de-semana incluíam uma ida ao cinema. Fui ver o Mondovino sem saber o que me esperava tendo sido completamente e positivamente supreendido. Não tinha lido nada, só sabia que andava à volta do vinho, esse néctar dos deuses, pelo título. E que filme!

Com personagens reais que parecem tiradas de um livro, é um daqueles filmes demonstrativos de como por vezes a realidade ultrapassa a ficção.

Ao contrário do estilo de Michael Moore, Jonathan Nossiter dá espaço e liberdade para todos se exprimirem sendo, no entanto, verdade que alguns se enterram com tamanha liberdade.



O contraste entre a visão americana e a europeia, os grandes grupos e os pequenos produtores, o amor ao vinho e o puro interesse económico. Alguns não gostaram do resultado final e parece que o senhor até já recebeu ameaças de morte!!!

No meu entender trata-se de um documentário vivo, bem feito e muito interessante.

Só é pena Portugal, Espanha, Austrália e África do Sul terem ficado de fora da história.

Uma boa sugestão para esta 2ª feira dia de cinema mais barato, são 135 minutos muito saborosos! :-)

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