Na viagem de regresso à periferia descobri nas proveitosas leituras da imprensa estrangeira esta insólita nova modalidade de caça.
A Internet está mais rica e conta com uma nova perversão. O empresário texano John Lockwood criou um site (
www.live-shot.com) no qual o cibernauta, tranquilamente sentado na sua cadeira e à distância de um só
click, pode disparar balas verdadeiras sobre a caça do seu rancho privado em San Antonio.
Para se tornar membro deste “clube" o utilizador paga um direito de entrada de 14.95$ doláres que lhe permite aceder durante 30 dias a esta “Reserva de Caça”. Por cada sessão o “caçador” online paga 5.95$ doláres e dispõe então de 20 minutos para dez tiros. Pode ainda pagar mais 9,95$ doláres para ter direito a um DVD com a gravação da sua sessão!!!
Como é que tudo funciona? Existe uma câmara teleguiada com uma mira que se encontra acoplada a uma espingarda, e que transmite ao utilizador imagens da zona de caça. Através do rato o “caçador” online controla a arma, faz pontaria e ao avistar um antílope, um javali, ou uma das outras espécies disponíveis no
catálogo desta reserva, dispara a arma clicando no rato!!! (
Demonstração Video)
Para impedir que se dispare sobre animais que não constam do
catálogo existe um vigia encarregado de velar pelo bom desenrolar das operações no terreno.
Desconheço se alguém já fez pontaria a este vigia, mas não lhe invejo a função!
Esta nova modalidade de caça como é natural já deu origem a controvérsia. Vejamos algumas das reacções:
“Disparar sobre um animal a partir de um ecrã, com uma arma telecomandada como num vídeo jogo, não tem nada a ver com a caça comum, é contrário a qualquer norma ética” insurge-se Kirby Brown, o director do Texas Wildlife Association, uma associação de caçadores.
Não sabia que a caça tinha uma ética, mas estamos sempre a aprender!
Até mesmo a associação texana dos caçadores de caça grossa critica esta nova prática e prepara uma proposta de lei que proíba a caça teleguiada.
Quanto a mim, este Jonh Lockwood deve estar certamente a roubar cota de mercado a esta associação, só pode!Mas o criador desta nova modalidade de caça não compreende a polémica. Segundo Jonh Lockwood, não há grande diferença entre a caça sobre o ecrã e a caça tradicional texana, onde se atrai a caça com alimento antes de disparar a partir de uma cabana de tiro. Além disso vê ainda outras vantagens pois permite às pessoas deficientes e aos soldados em missão continuarem a entregar-se à sua paixão pela caça. E defende: “desde que o homem parou de correr atrás da caça e a matá-la com as mãos nuas, o caçador não cessou de tomar as suas distâncias no que diz respeito ao animal e de aumentar a sua eficácia”.
Adoro este argumento do aumento de eficácia!Para finalizar uma nota curiosa que diz muito desta polémica e do que se entende como ética de caça. Desde 2001, o recurso ao Robo-Duck, pato artificial que serve para atrair o seu semelhante de carne e osso, é proibido aos caçadores do Estado de Washington: violava o princípio fair-play.
Meus caros termino como diria o saudoso Fernando Pessa: “E esta hem?”